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terça-feira, agosto 19, 2008

HPTREINADORES MUDA PARA TREINADORESHP

Caros leitore(a)s,

Informamos que a partir de agora o nosso projecto (hptreinadores) passa a ter continuidade no blog treinadoreshp.
Tal mudança deve-se somente ao facto de no novo blog podermos proporcionar novas funcionalidades aos leitores do blog, tais como, donwload de alguns documentos, fórum e outras utilidades que aqui não era possível proporcionar.
O treinadoreshp será exactamente a continuidade do projecto hptreinadores e apostará sempre na qualidade das postagens tal como até aqui.
A partir da presente data as nossas publicações continuarão em
Pedimos também aos nossos leitores que nos ajudem a divulgar o nosso novo blog, sobretudo no seio da família do hóquei em patins.
Foram dois anos de existência do hptreinadores, onde o balanço é positivo, mas com o passar do tempo sentimos necessidade de mudar para melhor.
Assim sendo, encontramo-nos a partir de agora em http://treinadoreshp.blogspot.com/.
O hptreinadores continuará activo, mas apenas para consultas e recordações.
Cordiais Saudações,
O administrador

sexta-feira, julho 11, 2008

ÚLTIMA PUBLICAÇÃO 07-08 E FÉRIAS...



Chegamos ao fim de mais uma época desportiva.

Todos temos o direito de descansar uns dias/semanas.

Em relação a 07-08 fazemos um saldo positivo deste espaço, apesar das muitas dificuldades por nós encontradas, tais como rejeições de opiniões técnico-tácticas por parte de treinadores, recusas a entrevistas, etc...

Continuamos também a depararmo-nos com o facto de exisitirem muitos pouco comentários.

Em 08-09 estaremos de volta, mas se os comentários continuarem a ser tão reduzidos e se as visitas diárias ao blogue não ultrapassarem as 150 pessoas, ponderamos seriamente encerrar o blogue. Mas esperamos que isso não suceda...

Mais uma vez relembramos que o blogue é de todos os interessados, curiosos e apaixonados pelo Hóquei em Patins.
A nossa causa é a apenas simplesmente o Hóquei em Patins...

Assim sendo, antes de partirmos, deixamos aqui o convite para darem uma leitura por algumas publicações do blogue que consideramos úteis ou relevantes:


Voltamos em Agosto de 2008.
Até lá boas férias a todos se for o caso disso

segunda-feira, julho 07, 2008

TREINADOR - QUEM DEVE PRATICAR ESTA PROFISSÃO?

Segundo Bota e Colibaba, 2001, "A profissão de treinador ganhou particular importância e apreço na vida social nos dias de hoje. Esta profissão está estreitamente ligada à edificação da capacidade desportiva de Alta Competição da nação, em qualquer ramo ou modalidade desportiva. Por outras palavras, quanto mais altos são os conhecimentos e os hábitos profissionais dos treinadores, mais altos serão os desempenhos desportivos da nação.
Esta aspiração é difícil de cumprir nas condições, nas quais são ignoradas as exigências da profissão de treinador. Presentemente nem todas as pessoas que desejam tornar-se treinadores têm o potencial para desempenhar esta tarefa.
Ao estabelecer «quais as aptidões necessárias a este papel», devemos perguntar-nos primeiro «Quem deve praticar esta profissão?»
- Aqueles que praticaram com abnegação o respectivo Desporto e que experienciaram eles próprios os rigores do treino e das competições. São preferidos os desportistas de Alto Rendimento (mestres do Desporto) cuja personalidade é apropriada à profissão de treinador;
- Aqueles que têm vocação (inclinação, talento) para esta profissão. Neste caso vocação significa um conjunto de traços da personalidade do qual não devem faltar:
  • a capacidade de incentivo - a capacidade de estimular, activar, impulsionar a equipa (os desportistas) e de solucionar qualquer problema, sejam quais forem a natureza e a dificuldade da mesma;
  • feitio de carácter - um alto nível de conduta moral, de paixão, vontade de ensinar aos outros, de perseverança, determinação, intransigência, espírito crítico incisivo, autocontrolo afectivo, sociabilidade, modéstia, respeito aos princípios, etc;
  • aptidões de educador - requerem a superação dos limites desportivo-práticos e o envolvimento noutros aspectos educacionais da personalidade: moral, estético, intelectual. Não devemos esquecer que o treino desportivo é, no entanto, um processo didáctico que necessita o conhecimento e a direcção de toda a actividade com base em princípios didácticos, com regras e estratégias bem definidas(...);
  • aptidões de psicólogo - sintetizadas na expressão «Faça com que acreditem». A confiança ilimitada ganha-se apenas quando os desportistas (equipa) notam que as decisões e as recomendações feitas pelo treinador são coroadas de êxito (...);
  • habilidades intelectuais - a inteligência verbal, espírito de observação, rapidez de pensamento, imaginação, memória, atenção distributiva, espírito pragmático e lógico;
  • aptidões de dirigente e organizador - qualquer treinador deve ter uma autoridade de competência profissional, e não só de cargo (por nomeação). Uma óptima direcção pressupõe, em primeiro lugar, uma preparação de especialidade rigorosa (conhecimentos teóricos, experiência prática, informação permanente, conhecimentos didácticos, psicológicos, biomecânicos, bioquímicos, sociológicos, etc.), e, em segundo lugar, uma preparação estritamente necessária no domínio da ciência da direcção (management) com aplicações na actividade desportiva específica (...);
  • Outras aptidões e capacidades - capacidade de intuição; capacidade de criação; capacidade de direcção autoritária; capacidade de decisão rápida; espírito de sacrifício.

A selecção das pessoas que se dedicam à profissão de treinador é, tal como já salientámos, uma condição «sine qua non» para a prosperidade da actividade desportiva de alto rendimento.

O valor dos treinadores não está ligado nem ao volume (às vezes imenso) do trabalho, nem à amplidão das actividades, nem à energia física e nervosa consumida, mas sim ao resultado desportivo obtido. Cada resultado desportivo em parte pode fazer subir ou descer uma pessoa na escala profissional. O homem-chave, que assume a responsabilidade em todas as circunstâncias, é o treinador. De modo especial, numa derrota, o «culpado» é sempre o treinador.

A profissão de treinador e mais do que uma profissão, é uma vocação, com tudo o que esta noção requer: fidelidade, paixão, entusiasmo, sacrifício. Mais ainda, esta vocação é exercida num mundo de incerteza e do acaso:

  • escolher jogadores e formá-los, sem saber antes o que vão realizar;
  • «lançá-los» na luta competitiva, e orientá-los para a obtenção de altas performances no momento decidido, por oportunidade, ou por certas condições favorecedoras;
  • lutar com toda a energia, sem grandes esperanças;
  • aguentar tudo, continuando a luta;
  • esperar e ver-se eliminado, sem pretender explicações e sem poder compreender;
  • subir muito para cima, e depois «cair»;
  • «caído», ver-se pisado por aqueles que, não há muito tempo, o idolatravam;
  • demonstrar sempre ser bom, e sendo bom, ser ignorado;
  • obter a vitória, na maioria dos casos para outros, ou suportar a derrota dos outros;
  • sentir a ilusão da vitória, e ao mesmo tempo lamentar ter vencido;
  • uma vez vencedor, ao consignar na agenda a vitória, saber que do outro lado há um vencido que consigna a sua derrota;
  • «...finalmente, ver-se sozinho, irremediavelmente sozinho, com os seus pensamentos, que nunca o deixam em paz, fora e dentro da casa;
  • ...e amanhã começa um novo calvário cm que já se habituou e de que nunca se pode livrar» (R. Busnel, 1981)."

Fonte: BOTA, Ioan e COLIBABA, Dumitru, "Jogos Desportivos Colectivos" - Teoria e Metodologia, (p. 25-28), Colecção Horizontes Pedagógicos, Edições Piaget - Instituto Piaget, Lisboa, 2001

quarta-feira, julho 02, 2008

TREINADORES JOVENS? OU MENOS JOVENS?

«Nos últimos anos, sobretudo nos últimos oito anos, em todas as modalidades e não só no hóquei em patins, temos lido e lidado com a seguinte expressão e mentalidade "é um treinador jovem, ambicioso e que nos dá garantias".
Quantas vezes é que também já não se ouviu esta expressão pela boca de muitos dirigentes, adeptos, comunicação social e até mesmo jogadores.
De repente criou-se um certo mito "camuflado" de que quem é um treinador jovem é bom e sabe da coisa e quem já tem muita experiência ou uma idade avançada, está ultrapassado e desactualizado.
Aqui convém referir que em certa parte a comunicação social tem responsabilidades, porque deu asas a que esse tal mito "camuflado" se instalasse em certa medida.
Quer queiramos ou não, esse mito "camuflado" está criado e a tendência dos últimos anos foi mesmo essa, contratar treinadores jovens, porque segundo dizem são muito melhores.
Ninguém diz é que muitas vezes se contratam treinadores jovens, porque além de terem também eles competência, são muito mais baratos aos clubes e como estão em início de carreira ou porque precisam de enriquecer o currículum, estão mais sujeitos a certas coisas.
Muitas também são as vezes em que ouvimos dizer "este treinador sim, tem métodos bons, inovadores e que motivam muito". Como quem diz que os treinadores com mais idade e mais experiência utilizam métodos ultrapassados e que já tiveram o tempo deles.
Desengane-se quem assim pense.
Pessoalmente penso e tenho a certeza que a idade não está ligada com a competência de um treinador.
O que faz um treinador ser bom ou melhor que outro é a sua competência, os seus jogadores, as condições que o clube lhe proporciona, um pouco de sorte como em tudo na vida e alguns outros factores que anteriormente já publicamos no blog em postagens anteriores.
Os treinadores devem ser avaliados ou "julgados" pela sua competência e entenda-se aqui que a palavra competência significa muitas coisas e nunca pela idade.
Pelo ponto de vista de que o treinador mais velho está ultrapassado, por exemplo não teríamos visto a selecção de Espanha de futebol a ser campeã da Europa, porque à partida já estaria condenada ao insucesso por ter um treinador com sessenta e nove anos.
Pegando neste caso, porque é recente, apesar de nós sabermos que há muitos outros casos destes em muitas outras modalidades e o hóquei em patins não é excepção, a selecção espanhola seria uma selecção tacticamente ultrapassada, o que não me pareceu nada, os jogadores não teriam tanta motivação, o que também não me pareceu nada e seria uma selecção pouco ambiciosa, o que também não me pareceu mesmo nada.
E, afinal o tal sr. treinador tem sessenta e nove anos. Já não é propriamente um jovem. Como é possível?
Com isto também não estou a querer dizer que os treinadores jovens afinal não sabem assim tanto como aparentam, ou querem mostrar, porque há grandes treinadores jovens e que sabem muito.
Penso é que como em tudo, há bons e maus treinadores e há os mais competentes para e os menos competentes para. Tudo isto independentemente da idade do treinador e do seu método de trabalho.
Abordando também a questão do método de trabalho, nos últimos anos também se criaram certos mitos. Os tais mitos dos exercícios espectaculares, do treino integrado, de certas filosofias e do blá blá...
Eu já tive treinadores que utilizavam os tais métodos ultrapassados, do género treinos com 2 horas de duração, onde 1 hora das quais era a subir de descer montanhas e repetíamos esta sequência no início da época, no Natal e na Páscoa e os restantes treinos era bola ao meio-campo e nada mais e conseguimos grandes vitórias e grandes feitos. Tudo isto sem os tais métodos inovadores.
Como também já tive o inverso, grandes métodos, excelentes exercícios a todos os níveis e resultados? Aquém das expectativas.
Cada treinador tem a sua forma de ser, de estar e de trabalhar. Sabemos que há coisas que realmente estão ultrapassadas e que não são vantajosas do nível do treino físico/técnico/táctico/psicológico, mas também sabemos que há estratégias ou métodos que com esta e aquela equipa funcionam e com outras não funcionam minimamente.
Tudo isto é um pouco subjectivo e dependente de muitas coisas.
Tipo aquela velha questão um treinador é despedido por causa de uma série de maus resultados, vem um novo treinador e a equipa faz de imediato não sei quantos jogos sem perder. As pessoas dizem logo "estás a ver, este treinador é que é bom, com o mesmo plantel, não perde e aplica cá uns exercícios espectaculares e um treinador com métodos fantásticos".
Sem questionar a qualidade do treinador que veio substituir será que alguém, sem ser treinador, já questionou alguma vez que os exercícios podem não ser assim tão espectaculares, que o método pode não ser assim tão fantástico e que pode é por exemplo o clube ter dado a este treinador que entrou agora de novo muitas melhores condições dos que as que teria o anterior treinador?
É que isso também faz muita diferença e muitas vezes, sem nós que estamos por fora sabermos, faz-nos dizer este treinador é bom e aquele não, ou este já está ultrapassado.
Poderíamos ficar aqui muito mais tempo a debater este tema. Todo ele está rodeado e recheado de muita subjectividade.
Apenas volto a frisar que os bons treinadores vêem-se pela sua competência e capacidades e não pela idade.
Eu acredito tanto que há grandes treinadores de vinte e poucos anos como também os há com setenta ou oitenta e muitos anos. Não acredito que um treinador no activo com idade superior seja menos ambicioso que um treinador jovem.
Não acredito, porque não conheço nenhum treinador de nenhuma modalidade que dê e planeie treinos e defina estratégias para isto e para aquilo e que vá para o campo sem se importar se vai ganhar ou perder.
Todos os treinadores, jovens ou com idade avançada, querem apenas e somente uma coisa: GANHAR.
Outra coisa que quero frisar aqui é que os treinadores, sejam elas quais forem as suas opções tácticas, de convocatória, de substituições e por aí fora, todas essas opções também só têm uma finalidade: GANHAR.
Para mim GANHAR em certa parte jé é ser-se bem ambicioso.Outra questão que quero aqui levantar é a seguinte: "Então a experiência não conta?" Imaginem só o quanto competente e "bom" poderá ser um treinador de idade avançada, que além ter continuado sempre a estudar a evolução da sua modalidade e dos seus próprios métodos, tem consigo a experiência acumulada de vários anos.
Na minha opinião a experiência acumulada de anos ajuda um treinador a ser competente. Mas com isto não estou em nada a querer afirmar que se for um treinador jovem com pouca experiência que já não é competente. Nada disso. O treinador jovem poderá não ter experiência acumulada, mas poderá ter outras qualidades que superem a falta da experiência acumulada.
Por tudo isto e não só, penso que devemos combater o mito "camuflado" que treinadores jovens são bons e ambiciosos e treinadores menos jovens estão ultrapassados e vice-versa, porque às vezes também se ouve "olha-me este puto que só anda nisto há dois dias e pensa que sabe" e o "problema" é que o treinador jovem muitas vezes pensa que sabe e sabe mesmo, mostra resultados e isso nem sempre "cai" bem aos tais que já andam nisto há mais tempo.
Jovem ou não o que se quer é treinadores competentes, capazes, líderes, sabedores, bons ensinantes e que saibam lidar com todo o tipo de situações que possam surgir, quer sejam elas boas ou menos boas.
Não podemos é julgar e definir a competência dos treinadores pela sua idade e não nos esqueçamos também que quanto maior for a qualidade da equipa/plantel, muito provavelmente, menor poderá ser a qualidade do treino em todos os aspectos, porque umas coisas podem camuflar outras e tapar "muitos olhos". Quanto menor for a qualidade da equipa/plantel, ou mais limitações tiver, mais o treinador tem de "enriquecer" o treino...
Fonte: Opinião pessoal de Hélder Antunes

8ª CLÍNICAS DE VERÃO






Fotos cedidas por Mundo OK em http://www.mundook.net/

domingo, junho 29, 2008

ALL STAR MASCULINO 2008 - Mundo OK



O All Star Masculino, vai-se realizar no Pavilhão da Nortecoope (Maia) no dia 5 de Julho, contendo o seguinte programa:
15:00 - All Star Veteranos

16:15 - Concurso de Livres Directos (Eliminatórias)

16:45 - All Star Sub-23

18:00 - Concurso de Livres Directos (Final)

18:15 - All Star Game Seniores


As receitas de bilheteira revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Mais informações em

sábado, junho 28, 2008

TORNEIO DE VERÃO 2008 - VILA BOA DO BISPO




Nos próximos dias 18, 19 e 20 de Julho de 2008, Vila Boa do Bispo, receberá no pavilhão gimnodesportivo local (pavilhão da A.C.D.C.P. Vila Boa do Bispo), a 3ª edição do seu Torneio de Verão.

Este ano o Torneio de Verão contará com a participação aproximada de 30 equipas e terá a duração de 3 dias.

As equipas, onde participam atletas do sexo masculino e feminino a partir ou com idade igual ou superior ao do escalão etário de juvenil, já se encontram inscritas e pelo leque de jogadores e jogadoras presentes, está já garantido grandes jogos de hóquei em patins e grandes emoções.

Aos que já não podem participar, resta a opção de poder assistir ao evento. A cada ano que passa este é já um torneio referência do mundo do hóquei patinado português.

Mais informações em http://www.torneiodeverao.com/

terça-feira, junho 24, 2008

Mudanças do humor em mulheres atletas: uma análise da psicologia do esporte

Afonso Antonio MACHADO, Carlos Augusto Mota CALABRESI
Universidade Estadual Paulista, LEPESPE, Escola Superior de Educação Física de Jundiai- Brasil
Resumo:
Diante da trajetória esportiva é possível estabelecermos vários parâmetros de comparação entre o desenvolvimento do estado de humor de atletas, sejam eles iniciantes ou experientes. Devido aos altos índices de crises depressivas percebidas em treinamentos e competições, dos variados níveis, ou mesmo, diante das manifestações a que nossos craques nos brindam, em embates esportivos ou reuniões sociais, esta pesquisa analisou, em especial, as alterações emocionais em atletas femininas adolescentes; tais indagações permitiram verificar os agentes causadores desta instabilidade, no contexto competitivo.
Palavras – chave: alterações emocionais, atletas femininas adolescentes, competição
Breve revisão de literatura
As emoções são reações fisiológicas, físicas e psicológicas que influem na percepção, aprendizagem e desempenho. Apesar de muitas divergências, parece haver um consenso entre os teóricos de que a emoção deve ser considerada como um construto psicológico constituído por muitos aspectos ou componentes:
- componente de valorização ou avaliação de estímulos e situações;
- componente fisiológico de ativação ou eliciador;
- componente de expressão motora;
- componente motivacional, incluindo as intenções de comportamento ou prontidão comportamental;
- componente de estado subjetivo dos sentimentos
Os sintomas de emoção incluem mudanças profundas em todo o corpo, reguladas pelo sistema nervoso central, pelo sistema autônomo (simpático e parassimpático), e pelas glândulas endócrinas. Logo, existem vários indicadores dessas mudanças corporais:
a) resposta galvânica da pele;
b) distribuição do sangue,isto é, os vasos sanguíneos se dilatam ou se contraem; c) ritmo do coração, os batimentos cardíacos se aceleram ou diminuem;
d)respiração, o ritmo e a profundidade da respiração se alteram;
e) resposta pupilar;
f) secreção de saliva ,tende a aumentar;
g)resposta pilomotora;
h)motilidade gastrointestinal;
i) tremor, pressão e tensão nos músculos e
j) composição do sangue, pois existem mudanças no açúcar do sangue, equilíbrio ácido-base e conteúdo de adrenalina.
É importante considerar, também, que a expressão emocional se desenvolve através da maturação e da aprendizagem; por exemplo, o bebê chora quando nasce, pois nasce com a capacidade de chorar, mas a capacidade de sorrir vem com a maturação. Portanto, a criança precisa aprender tanto as oportunidades para a emoção quanto o controle da expressão emocional, segundo os padrões aceitos em sua cultura. As culturas ensinam formas convencionais de expressar as emoções que se tornam uma linguagem reconhecida por todos que vivem na mesma cultura.
A maturação dos padrões emocionais ocorrem de maneira gradual, pois o bebê recém-nascido possui um repertório muito limitado de respostas emocionais. Nos primeiros meses, o comportamento reflete o estado interno da criança. As respostas a estimulações ambientais e a estímulos internos são bem diretas e apenas gradualmente se tornam reconhecíveis com um "título" adequado. Assim, as formas características da emoção, bem como muitas ações que a expressam, desenvolveu-se através da maturação (Fiamenghi, 1994).
Então a função da emoção, assim, é a de ser uma interface entre o organismo e seu meio, fazendo a mediação entre situações e eventos constantemente mutáveis e as respostas comportamentais do indivíduo. Além disso, a emoção permite avaliações constantes dos estímulos internos e externos em termos de sua relevância para o organismo e na preparação de reações comportamentais que podem ser necessárias como respostas àqueles estímulos.
A avaliação de qualquer estímulo interno ou externo, registrada pelos órgãos sensoriais do organismo, é estabelecida por uma seqüência de checagens específicas com critérios ordenados hierarquicamente (por exemplo, aspecto inesperado do estímulo; prazer ou desprazer intrínseco; tendência a atingir objetivos ou necessidades; potencial para lidar com o sucesso; autocompatibilidade) e como é um processo contínuo, ás vezes ocorre a omissão de alguns passos ou mesmo sua ativação apenas na presença de certas condições.
A noção de que os estados emocionais humanos são o resultado complexo de uma série de checagens avaliativas dos estímulos é adequada para explicar o grande número de estados emocionais altamente diferenciados que experienciamos e que, muitas vezes, somos incapazes de descrever (Fiamenghi, 1994).
A emoção pode revelar ao sujeito que os eventos estimuladores possuem um nível significativo para ele; isso pode revelar que sua sensibilidade faz com que aquele significado tenha existência. Pode-se descobrir, por exemplo, que, devido a timidez, o sujeito não sabe lidar com situações sociais. Através das emoções as pessoas entram em contato com o mundo. Ao mesmo tempo, entram em contato consigo mesmas: sendo inseguras ou dependentes, ou desejosas de cuidado e atenção; a consciência da emoção pode modificar a auto-estima.
Cada resposta emocional tende a ser avaliada em termos da própria auto-avaliação e de outras normas ou outros valores. Alguém que esteja sentindo dor ou desespero pode odiar-se por isso. Pode sentir medo e considerar-se covarde. Alguém pode estar com raiva e se sentir objeto da raiva de alguém. A experiência emocional, em outras palavras, estende-se além da própria emoção: possibilidade demarcar o percurso do sentimento, mapear a ação, o gesto e a área sentida....
Isso se aplica também em que viver algumas emoções é ser capaz, ou incapaz, de experimentar e lidar com seus tipos específicos. Sentir muito medo e ser capaz de suportá-lo ou continuar a agir friamente em situações de perigo e suspense pode ocasionar sensações de poder e de adequação.
Geralmente, as emoções produzem um senso de experiência e funcionamento, de possuir e utilizar recursos. Isso também se aplica a emoções negativas como tristeza e ansiedade. A ansiedade, em particular, é uma experiência que não é valida apenas negativamente. O valor emocional positivo da ansiedade surge em parte da sua variabilidade (Fiamenghi, 1994).
O significado desse valor emocional não está presente apenas na ansiedade, mas também no luto, no ódio ou na culpa. Cada grande paixão pode ampliar esse sentimento de estar vivo e em funcionamento até os seus limites. A falta de emoção, ao contrário – como o que ocorre em alguns casos de despersonalização,- é terrível. Ela aumenta o senso de não-existência.
Um aspecto importante do auto-significado é a avaliação do senso de controle que as pessoas têm sobre suas emoções e o senso de responsabilidade pelos sentimentos e ações envolvidas. As pessoas podem sentir-se culpadas em relação a sua raiva, mesmo que sua raiva nunca seja expressa; e podem sentir-se livres de responsabilidades por atos cometidos compulsivamente, sob o poder da emoção. Uma pessoa pode temer as emoções por causa da ameaça de controle sobre os eventos ou, especificamente, por causa do medo de ser incapaz de resistir a uma tentação particular (Fiamenghi, 1994).
Podemos observar também que o mesmo grau de excitação pode levar tanto a desorganização como a organização do comportamento em uma mesma situação.
A emoção está diretamente relacionada com a excitação, mas não pode ser simplesmente identificada com esta, porque o sistema límbico tem evidentemente uma contribuição decisiva (apesar de não plenamente compreendida) no processo emocional, e os processos de pensamento são uma característica importante de qualquer emoção. Vale ressaltar que a distinção mais clara entre as diversas emoções encontra-se nas idéias que acompanham cada uma das emoções e nas ações que essas idéias suscitam.
Por isso que o componente de expressão motora e de reação comportamental intencional são frequentemente observáveis nos padrões de expressão motora; tanto a reação como a intenção comportamental do indivíduo são comunicadas ao ambiente. As emoções modificam a excitação básica de acordo com a situação em que o indivíduo se encontra. A excitação é transformada em ações sensoriais e motoras; logo, qualquer ação envolve movimento, sensação, sentimento e pensamento (Fiamenghi, 1994).
As sensações são processos reais do corpo, por exemplo, quando sentimos o coração pesado ou leve, frio ou aquecido, algo esta acontecendo no nível físico, no corpo, que nos faz sentir assim. O que acontece pode ser bem mais descrito como aumento ou diminuição no estado de excitação corporal.
O estado de excitação do organismo é sempre visível no corpo, pois toda ação tem sua origem na atividade muscular; por exemplo, ver, ouvir, falar, andar requerem a ação dos músculos. Os músculos se contraem e/ou se expandem como resultado de uma série interminável de impulsos do sistema nervoso, que se manifesta corporalmente como mudanças em nossa posição de estabilidade.
Quando ocorre um nível elevado de excitação, há maior afluxo de sangue até a superfície do corpo, os olhos brilham, aumenta o tônus da pele, os movimentos fluem, as mãos ficam mais aquecidas, o cérebro é ativado e os batimentos cardíacos se aceleram. Em situação extrema oposta a essa – a morte – os olhos ficam imóveis e vidrados, o corpo para de se mexer e a pele se torna pálida e fria (Fiamenghi, 1994).
Assim, dependendo do estado de excitação, o corpo exibe um aumento ou diminuição de atividade; por exemplo: na dor intensa, o corpo se dobra e a respiração é curta; na raiva, o corpo fica quente, os olhos brilham; no prazer, o corpo se expande, a respiração é lenta (os órgãos e tecidos estão mais excitados e pulsam com intensidade) o sangue flui até a superfície do corpo.
Quando o organismo, por algum motivo, inibe a expressão de seus sentimentos, impedindo o fluxo de excitação, isso faz com que os músculos se tornem tensos e contraídos. E com o passar do tempo e repetição das situações, as ações tornam gradualmente hábitos, isto é, as ações tornam um caráter fixo, imutável. Os músculos ficam tensos, duros e rígidos em todo o corpo, reduzindo a mobilidade e a flexibilidade do corpo.
Um corpo vivo está em constante movimento; essa motilidade é inerente a ele, é a base de sua atividade e resulta de um estado de excitação interna que se expressa continuamente na superfície do corpo. Quando a excitação aumenta, há mais movimento, quando diminui, o corpo torna-se mais inerte: toda pressão emocional produz um estado de tensão no corpo (Fiamenghi, 1994).
Então uma das maneiras de se aliviar as tensões musculares é através de exercícios físicos. Os exercícios físicos propõem-se a ajudar a pessoa a entrar em contato com suas tensões e libera-las por meio de movimentos apropriados. E como resultado de várias pesquisas realizadas nos últimos anos, tem-se comprovado cada vez mais a relação entre realização de exercícios físicos e benefícios psicológicos deles resultantes.
Roth (1989) afirma que mesmo uma única sessão de exercícios pode ser útil para aumentar a percepção de resistência ao stress, melhorar o humor e ampliar algumas funções cognitivas. Roth e Holmes (1987) afirmam que situações de vida negativamente estressantes tem pouco impacto sobre a saúde do sujeito com alto grau de capacidade física; sujeitos com baixo grau de capacidade física experimenta níveis mais altos de depressão. Assim, a capacidade física foi uma variável moderadora confiável na relação stress-doença e sugere que um aumento da capacidade física pode ser uma maneira de diminuir os efeitos inevitáveis do stress.
Janoski e colab. (1981) demonstraram que sujeitos participantes de um treino de exercícios aeróbicos obtiveram uma melhoria nas suas habilidades físicas, autoconfiança, e habilidades não físicas (por exemplo, capacidade de correr, tempo de estudo, confiança na capacidade de estudar, tolerância a frustração). Ewing e Scott (1984) observaram que as pessoas participantes de pesquisas conseguiram um aumento de energia, vigor, otimismo e bem-estar após sessões de exercícios aeróbicos; no entanto, não houve efeito quanto aos estados cognitivos dos sujeitos em relação aos exercícios físicos.
McCann e Holmes (1984) fornecem evidencias de que a participação em programas de exercícios aeróbicos foi efetiva para reduzir a depressão. Roth e Holmes (1987) demonstraram que os exercícios aeróbicos foram mais eficazes do que o relaxamento para reduzir a depressão de correntes de eventos estressantes da vida; esse efeito apareceu apenas cinco semanas após o treinamento.
Wilson, Berger e Bird (1981) sugerem que corredores mais ansiosos tendem a beneficiar-se da corrida do que os menos ansiosos e observaram que a ansiedade diminui durante as sessões. Também Dyer e Crouch (1987) observaram que corredores tem mais estados emocionais positivos do que os não-corredores.Seus perfis emocionais foram mais positivos após a corrida e houve diminuição na tensão,depressão, raiva e confusão.
Os aspectos bioquímicos envolvidos nas atividades físicas, de forma a produzir mudanças emocionais estão relacionadas as endorfinas . Francis (1983) afirma, em uma revisão sobre o papel das endorfinas, que esses peptídios opióides endógenos modulam a sensação de dor e analgesia, estando além disso associados à regulação de suprimento de energia do corpo.
Aparentemente, desempenham um papel ao provocar respostas mobilizadoras ao stress, e seu funcionamento fisiológico pode estar relacionado ao hormônio adenocorticotropina (ACTH), conhecido por sua função de liberação de cortisol e seus efeitos metabólicos diretos que permitem que ao organismo um melhor ajustamento as mudanças extremas, além de possuir vários efeitos no sistema nervoso central, influenciando a motivação e a vigília.
Assim, as várias ações das endorfinas revelam que elas atuam paralelamente as mudanças que ocorrem na homeostase dos indivíduos que desempenham atividades aeróbicas; não apenas os exercícios resultam em níveis elevados de ACTH, cortisol e catecolaminas, mas também o condicionamento físico parece alterar os estados de humor e o comportamento adaptativo. Segundo Williams e Getty (1986), as endorfinas podem explicar os efeitos positivos dos exercícios no estado de humor.
Berger e Owen (1983), observaram mudanças positivas em estados emocionais ocasionadas pela prática da natação e notaram que a atividade deve durar 40 minutos, para que produzem efeitos psicológicos, de preferência três sessões de 20 minutos de duração, com 70% a 80% de máxima taxa cardíaca.
A análise dessa amostra de literatura bem como de seus resultados sugerem a necessidade de mais pesquisas, pois os resultados de trabalho nessa área demonstram uma variabilidade de implicações teóricas e práticas interessantes e potencialmente importantes em relação à associação entre estados emocionais e a participação em programas de exercícios físicos.
Embora as pesquisas concernentes à relação entre exercícios físicos e estados emocionais apresentem limitações e muitas vezes problemas metodológicos, vamos abordar tal tema, levando em conta, é claro, as considerações feitas como uma forma de poder fornecer uma parcela de contribuição nessa área do conhecimento humano.
Metodologia
A revisão de literatura garantiu o estudo realizado pela pesquisa de campo, do tipo estudo de caso, numa equipe de Voleibol Feminino Juvenil. Adotou- se a técnica do questionário aberto, para a coleta de material que favoreceria a observação direta e a entrevista. Todo o material coletado foi analisado através de uma categorização multidirecional, que possibilitou rico levantamento de dados. O objetivo do estudo
foi investigar sobre a incidência de alterações emocionais e buscou-se analisar as causas, freqüência e tentativas de soluções adotadas para a situação.
Resultados
Constatou-se, através da observação direta, dos questionários e da coleta de depoimentos, em entrevistas, que a perda de prestígio e da posição de jogadora titular, acompanhado de problemas afetivo pessoais ( solidão, angústia, medo e depressão, entre eles) são as principais causas destes transtornos em atletas.
Grande número delas não consegue imaginar a possibilidade de perda de posição, como titular, e computam a isso uma desmoralização e humilhação muito grande, que causa transtornos emocionais de alta monta. Não têm com quem conversar sobre esta situação e sofrem, caladas e abaladas, sem controlar tal ansiedade de antecipação.
A incidência da instabilidade emocional é maior antes e após partidas decisivas, independente de resultados, mas sempre se agrava após derrotas. O fato de estar disputando uma partida que classifica ou que elimina a equipe, parece ser um referencial sem chances de ser tratado com equilíbrio: sofre- se até as últimas conseqüências. Uma derrota assume o peso da morte, da destruição total e das oportunidades encerradas. O que demonstra um despreparo diante do desconhecido, inclusive numa situação constante, como o caso de jogo de classificação.
As duas situações anteriores deixam antever a necessidade de um preparo psicológico adequado ao grupo, por percebermos que as atletas não têm controle sobre alterações mínimas da rotina de um atleta, como o perder posição, perder um jogo, elementos da vida do atleta que participa de um campeonato, seja de que nível for.
O técnico é o profissional mais procurado, na fase emocional instável e as atletas temem, inclusive, a perda salarial, em temporadas de pouco rendimento atlético, além da possibilidade de dispensa da equipe. Relatos de atletas apontam que a procura pelo técnico se dá em função de sua liderança no grupo, apesar de, nem sempre, corresponder à imagem do adulto ou dirigente mais controlado emocionalmente.
Conclusão
A figura do psicólogo do esporte foi sugerida e solicitada pelas atletas analisadas, com unanimidade, porém a possibilidade de contato e acompanhamento psicológico ¨convencional¨ é remota, dada a conotação pejorativa que intervenções psicológicas sofrem no meio esportivo, tanto pelos dirigentes, atletas e mídia, quanto pelo distanciamento a que os próprios psicólogos se impõem, aos momentos esportivos.
Apontou- se uma preocupação maior com um trabalho mais humanizado do que o meramente técnico- físico, apesar de temerem pela perda da qualidade técnica, se tiverem que diminuir horas de treinamento para incluir o trabalho psicológico.
Chama a atenção a observação sobre o comportamento do técnico, no que diz respeito ao controle emocional, em especial se pensarmos na questão da modelagem social à que os líderes estão expostos, mas o importante é observar que se acredita na possibilidade de um trabalho diferente, o que já garante uma oportunidade de atuação, com menor resistência do grupo.
Bibliografia
BERGER, B.G.: OWEN, D. R. (1987)- Anxiety reduction with swimming: relationships between exercise of state, trait and somatic anxiety. Int. J. Sport Psychology, 18: 286-306.
BERGER, B.G. & OWEN, D.R. (1992)- Mood alteration with yoga and swimming: Aerobic exercise may not be necessary. Perceptual and Motor Skills, 75: 1331-1343.
DYER, J. & CROUCH, J. (1987)- Effects of running on moods: A time series study. Perceptual and Motor Skills, 64: 783-789.
ENGELMANN, A. (1978)- Os estados subjetivos. SP: Ática.
EWING, J.; SCOTT, D.; MENDEZ, A. & MCBRIDE,T. (1984)-Effects of aerobic exercise upon affect and cognition. Perceptual and Motor Skills, 59: 407-414.
FIAMENGHI, M.C.B. (1994)- Atividades Físicas e Estados Emocionais: Relatos verbais sobre estados emocionais como indicadores dos efeitos de um programa de atividades físicas para adultos.Campinas: UNICAMP (Dissertação).
FRANCIS, K.T. (1983)- The role of endorphins in exercise: a review of current knowledge. Journal of Orthopaedic and Sport Physical Therapy, 4 (3): 169-173.
LEVY, R. (1984)- The emotions in comparative perspective. IN: K.SCHERER & P.EKMAN (1984)- Approaches to emotion. New Jersey: Lawrence Erlbaum.
ROTH, D.L. & HOLMES, D.S.(1987)- Influence of aerobic exercise training and relaxation training on physical and psychologic health following stressful life events. Psychosomatic Medicine, 49:355-365.
ROTH, D.L. (1989)- Acute emotional and physiological effects of aerobic exercise. Psychophysiology, 26: 593-602.
Fonte: Afonso Antonio MACHADO, Carlos Augusto Mota CALABRESI, Universidade Estadual Paulista, LEPESPE, Escola Superior de Educação Física de Jundiai- Brasil.

segunda-feira, junho 16, 2008

O TREINADOR DESPORTIVO - PERFIL E COMPETÊNCIAS

Artigo publicado no Sintrasport da autoria de João Silva (Simão) - Atleta Sénior do Mem Martins.
Vale mesmo a pena ler

«Muito do êxito desportivo de uma equipa, seja esta de futebol ou de outro desporto qualquer, depende em muito do seu treinador. Depende da forma entusiasta ou não como este organiza, gere e idealiza todos os treinos e competições.

Um treinador tem de ser sobretudo um bom líder, transmintindo aos seus atletas os seus conhecimentos, fazendo estes aprofeiçoarem-se de modo a conseguirem corresponder às exigências da competição. Sobretudo, um treinador tem que ser um gestor de recursos humanos. Tem de saber como lídar com os seus atletas de forma a obter deles o seu máximo.

Para mim o melhor treinador é aquele treinador da tal “nova geração” ou lá o que queiram chamar-lhe. Tem de ser um treinador que se actualiza constantemente, que procura a todo o instante melhorar-se a si próprio de forma a puder-se autovalorizar desportivamente, pudendo melhorar por consequência o rendimento da sua equipa. Para mim o melhor exemplo português é o tão conhecido José Mourinho.

O treinador tem de ser a cara do grupo. Tem de deter um estatuto de autoridade. Sendo que cada treinador tem a sua forma de liderar. Temos treinadores que vivem na base da disciplina e da ordem. Neste caso o treinador caracteriza-se por ser aquele treinador rijido e fechado que não dá confianças aos jogadores, pouco se importando com as suas opiniões. Para estes treinadores só a opinião deles importa!

Temos outros treinadores que lideram de uma forma liberal. Este lídera o grupo de uma forma pouco adequada pois prefere não assumir a responsabilidade das decisões com “medo” de ser considerado autoritário . É caracterizado pela falta de organização e preparação de treinos. Faz a sua equipa perder espirito de grupo e a sua coesão pois não a consegue orientar de forma adequada pois não consegue sequer ser um líder. Este treinador na minha opinião nunca pode ser treinador pois não se faz sentir presente, não tem ideias, e mesmo que as tenha não as leva avante. Para mim nunca pode ser chamado verdadeiramente de treinador.

Ainda temos aqueles treinadores que usam uma liderança na base da participação, isto é, este treinador conta muito com a opinião dos seus atletas, fazendo deles seus ajudantes na busca de êxito desportivo. Este treinador é aquele que sabe falar, e sobretudo ouvir o que os jogadores também acham. Nunca se acha sempre o senhor da razão, e reconhece que também os jogadores podem ter a sua razão, aceitando criticas construtivas por parte destes, de forma a melhorar a performance da equipa.

· Pelo enquadramento pedagógico da sua acção;

· Pela sua dinâmica pessoal;

· Pelo estabelecimento das relações interindividuais assente na igualdade e justa repartição de responsabilidades;

· Pela criação de um clima de confiança, credibilidade e aceitação;

· Pelos exemplos que transmite aos praticantes/jogadores;

· Pelas convicções que exprime.

Um treinador deverá ter a capacidade de conseguir criar um grupo forte e unido de forma a criar um projecto coeso conseguindo mais facilmente atingir os objectivos propostos. Com um bom espirito de grupo, por vezes consegue-se ultrapassar barreiras quase impossiveis de ultrapassar. Dou o exemplo do Porto de José Mourinho. Este conseguiu construir uma equipa de jogadores que nunca tinham ganho nada, e com espiritio de sacrificio e com uma grande união conseguiram conquistar a Taça Uefa e a tão desejada Liga dos Campeões.

Um treinador deverá ter uma capacidade de imaginação muito grande, ter mente forte, ser ambicioso, ter um espirito combativo, ser firme, ser equilibrado emocionalmente (ter sentido de humor), ser sereno, saber tomar decisões, ser corajoso, saber reagir conforme as situações, ser um bom comunicador, ter a capacidade de moralizar os atletas (servir como um “pscicólogo”), saber falar e principalmente saber ouvir, ser uma pessoa atenta, saber reconhecer os seus erros.

Concluindo, um treinador além da sua capacidade como ser humano, tem de ser um bom gestor sendo também uma pessoa organizada. Tem de saber reagir conforme as mais diversas situações. Um bom treinador é aquele que nunca beneficia um certo jogador, mas sim aquele que beneficia o grupo no seu todo. Um bom treinador é um líder nato que sabe o que tem em mente e sabe transmitir as suas ideias a equipa.»

Fonte: Artigo publicado no Sintrasport da autoria de João Silva (Simão) - Atleta Sénior do Mem Martins e disponível em:

http://mmsc.blogs.sapo.pt/29423.html

segunda-feira, junho 09, 2008

EXERCÍCIOS DE VELOCIDADE E DE RESISTÊNCIA

TREINO DE VELOCIDADE
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TREINO DE RESISTÊNCIA

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Fonte: Carles Freixedes, 2007, in

quinta-feira, junho 05, 2008

ALGUMAS QUESTÕES QUE NOS CHEGARAM POR E-MAIL


Ao longo dos últimos tempos alguns leitores do blog fizeram-nos chegar algumas questões relacionadas com o treino do hóquei em patins. Assim sendo, publicamos aqui essas mesmas questões e colocamos as respostas, tendo em conta alguns conhecimentos nossos e a nossa experiência no terreno, podendo as mesmas não estarem de acordo com muitas outras opiniões. Desde já aqui também fica o convite para que comentem construtivamente as questões/respostas.
José Teixeira - Leiria - É bom treinar os diferentes tipos de força em crianças até aos 12 anos, por exemplo?
hptreinadores - Na nossa opinião, até essas idades ou nessas idades o mais importante não será treinar a força nas suas diferentes vertentes. Pensamos que por exemplo, no caso do hóquei em patins é mais relevante proporcionar aos jovens exercícios que enriqueçam a aprendizagem da técnica e da táctica individual. No entanto a força pode ser treinada, desde que bem orientada e com cargas adaptadas ao corpo da criança. Isto depende também da forma de pensar e estar no hóquei em patins por parte do treinador.
Mário Lino - Lisboa - Que tipos de exercícios posso utilizar para melhorar a técnica individual dos meus jogadores? Já procurei bibliografia de hóquei em patins e não encontro nada. Os meus jogadores são bambis.
hptreinadores - Na nossa opinião e independentemente do escalão, pode-se utilizar jogos reduzidos ou condicionados, do género 3*3+GR, ou 4*4+GR em espaços reduzidos ou campo inteiro, ou jogo formal em espaço reduzido, ou jogo formal com condicionantes do género 5 toques na bola, etc. Pensamos que a utilização do formato "jogo" é uma boa forma de manter os atletas motivados e simultaneamente a trabalharem em grande quantidades aspectos como o passe/recepção, movimentação com e sem bola, condução de bola, patinagem, leitura de jogo, remate, marcação e desmarcação, etc. Pensamos que é uma boa forma de melhorar a técnica e a táctica individual dos atletas e tendo quase a certeza absoluta que este tipo de exercícios não são "maçudos" nem desmotivantes para os atletas.
Antero Silva - Maia - Penso que os treinadores portugueses estão a ficar atrasados nos seus métodos, principalmente quando comparados com os espanhóis. Já não há treinadores capazes de fazer novos "Livramentos", por exemplo. Que se passa?
hptreinadores - Permita-nos a observação de afirmar que esta questão tem tanto de pertinente como de "água no bico" tentando atacar a classe de treinadores de hóquei em patins.
Na nossa opinião, existiu nos últimos tempos uma grande evolução ao nível da metodologia adoptada pelos treinadores de hóquei em patins. O treinador de hóquei em patins, na globalidade, hoje em dia é um treinador mais completo, que domina mais áreas para além da de segurar um apito ao pescoço. É um treinador que se preocupa com a sua formação e a sua evolução, salvo algumas excepções como em tudo na vida.
Tal como em quase todos os outros desportos, nos últimos tempos o hóquei em patins evoluíu em muitos aspectos, uns mais positivos que outros, mas existiu e continuará a existir essa evolução e como tal os treinadores tiveram que se adaptar, porque quem assim não o fez ficou com os "dias contados".
Fruto dessa evolução, os treinos, a metodologia, a mentalidade, a formação e o ensino da modalidade adaptou-se e como consequência disso, aqueles jogadores que foram e serão sempre uma referência foram aparecendo cada vez menos.
Não esqueçamos também que se calhar nesses tempos o hóquei em patins tinha pouco de táctico e hoje em dia as coisas não são bem assim, bem como também não se pode comparar o trabalho realizado hoje em dia ao nível da preparação física, com o que se realizava então.
Mas apesar de tudo isto, queremos aqui referir uma aspecto que achamos muito relevante e que muitas pessoas não lembram nem abordam, que é o facto do próprio atleta hoje em dia estar muito diferente mentalmente. É que hoje em dia o atleta actual não pensa, nem tem a mesma forma de estar que o atleta do "antigamente". Já lá vão os tempos em que os atletas não se importavam de perder tempo (horas) a treinar, hoje em dia chega treinar 60 minutos ou 75, porque se for 90 já é muito tempo e mais que 3 ou 4 treinos por semana é um exagero. Já lá vai o tempo em que os jogadores nos tempos livres calçavam os patins e íam para a rua ou para um pátio dar uns toques. Já lá vai o tempo em que os jogadores após uma semana intensiva de treinos preocupavam-se em descansar em vez de sair até de madrugada. Já lá vai o tempo em que os atletas ficavam chateados pelo treinar terminar. Já lá vai o tempo em que só mesmo em caso de doença é que se faltava aos treinos. E também já lá vai o tempo em que um pavilhão era só para hóquei em patins. E como estas situações muitas outras.
Por tudo isto e não só, é que esses jogadores referência foram desaparecendo. Os treinadores podem ter a sua cota parte de culpa, mas não são os principais.
Em relação à comparação que faz dos treinadores portugueses com os espanhóis, pensamos que há grandes treinadores espanhóis como portugueses. A mentalidade, fruto também das diferentes culturas de cada país é que porventura fazem os treinadores espanhóis terem outras perspectivas da dos treinadores portugueses e nada mais do que isso. Mas pensamos que nesse campo (treinador português Vs. treinador espanhol) a "balança" está equilibrada.

segunda-feira, junho 02, 2008

TREINO DE JOVENS


Treinar crianças e jovens é uma actividade extremamente interessante, mas atribui a todos os que a acompanham, organizam e dirigem, em particular ao treinador uma grande responsabilidade, face à sociedade, mas essencialmente face ao próprio praticante pois treinar jovens poderá ser também um risco e, tanto maior é o risco quanto mais impreparados, os intervenientes no processo estiverem.
Tal como diz Tony Byrne "Em si mesmo o desporto não é bom nem mau. Os efeitos positivos e negativos associados ao desporto não resultam da participação em si, mas da natureza da experiência vivida. Frequentemente, chegamos à conclusão que um elemento importante da determinação da natureza daquela experiência é a qualidade da liderança dos adultos que a dirigem."
Parece-nos claro que nada se deve fazer sem um planeamento prévio, e este aspecto ganha ainda mais importância quando estamos a falar de jovens que ainda estão a ser educados/formados. Assim sendo, devemos elaborar um plano pedagógico e metodológico, devidamente estruturado, onde devemos definir, os meios, métodos e estratégias de actuação neste processo de ensino-aprendizagem.
Hoje em dia é claro, para a maioria das pessoas, que a formação, seja ela desportiva ou não, das crianças e jovens, deve ser, substancialmente diferente da dos adultos. Mais do que isto, é sabido que a formação e preparação da criança e do jovem deve respeitar as etapas de crescimento e maturação das estruturas e funções do indivíduo, ou seja, do seu desenvolvimento biológico. Desta forma é necessário que a prática desportiva estimule o processo de desenvolvimento, evitando as situações que o possam prejudicar.
Assim, a escolha dos treinadores adequados às necessidades dos jovens atletas, destaca-se como uma das primeiras preocupações que qualquer clube deve ter. Um bom treinador na área do treino de jovens, deve ter a clara noção que a sua actividade não se limitará a preparar e transmitir o treino. Ele desempenhará uma função de grande impacto social, educativo, formativo e desportivo, pois os jovens aprendem a maior parte dos seus comportamentos e atitudes, estruturando a sua personalidade sobretudo pela acção que os adultos lhes proporcionam. Neste contexto de treino de jovens, referindo-me em particular aos treinadores, parece-me essencial reunir, pelo menos, sete domínios importantes que irei passar a enumerar:

Bom senso.

Formação específica na modalidade.

Formação no terreno.

Formação académica.

Experiência e talento na condução de grupos.

Experiência de jogo como jogador.

Sentimentos de satisfação pela actividade desenvolvida.
O bom senso deve ser a base de trabalho, quer no futebol, quer em qualquer outra actividade a exercer. Qualquer pessoa tem noção que gerir o nosso dia-a-dia, requer uma boa dose de bom senso. Temos de saber "ver e ler" as situações e se necessário alterar o rumo dos acontecimentos sempre que se justifique.
Quanto à formação específica na modalidade, entendo que o estudo constante dos conteúdos específicos do futebol permite uma melhor adequação aos diversos contextos onde estamos inseridos. Temos de sentir a necessidade de alargar os nossos horizontes e aprender mais, porque é disso que necessitamos quando somos chamados a resolver problemas.
Quando falo de formação no terreno, estou a referir-me à capacidade de planear, executar, analisar, criticar e avaliar todo o processo de ensino-aprendizagem. O treinador deve questionar constantemente o seu trabalho, procurando sempre saber onde e como pode melhorar. Deve questionar constantemente a qualidade e os efeitos da sua intervenção, do conhecimento que tem da modalidade, verificando se esse conhecimento ainda se mantém válido e actualizado, avaliando igualmente as relações afectivas que se estabelecem.
Relativamente à formação académica, é importantíssimo ter sempre presente a percepção e domínio de todas as componentes inerentes à prática desportiva, ou seja, ter sempre presentes os conhecimentos adquiridos e actualizados sobre diversas áreas das quais destaco, a fisiologia do esforço, pedagogia do desporto, psicologia desportiva, metodologia do treino, entre outras.
Considero a experiência e o talento na condução de grupos como uma valência importante. O treinador deverá possuir traços de personalidade que lhe permitam exercer vários tipos de liderança, isto é, o técnico deve transformar, se necessário, a sua personalidade, adaptando-a a cada momento. O mais crucial é a gestão dos recursos humanos ao nosso dispor. É importante ter uma personalidade forte e tentar impô-la, sem, no entanto, criar medos nos jovens.
A experiência como jogador, não sendo de transcendente importância é, no meu entender, muito útil e rica no prever, identificar e antecipar de situações que podem ocorrer no treino e no jogo. É o chamado "feeling" que a vivência de inúmeras situações traz.
Se a tudo o que anteriormente foi referido, acrescentarmos os sentimentos de satisfação pela actividade desenvolvida com crianças e jovens, então teremos a garantia de sucesso.
Para finalizar, deixo a opinião de Marcelo Lippi, "Treinar jovens é uma missão. Pelo menos era como eu o sentia e é isso que quero dizer aos que treinam jovens futebolistas, treinar jovens não deve ser encarado como um ponto de passagem na carreira".
Fonte: Mister Ricardo Damas.

quarta-feira, maio 28, 2008

ORIENTAÇÃO PARA TREINADOR


NOTA: Esta postagem apesar de ser directamente direccionada para a modalidade de Pólo Aquático, é perfeitamente adaptável a muitas outras modalidades, tais como o Hóquei em Patins por exemplo. A mesma encontra-se redigida em português do brasil, conforme o texto original.

ORIENTAÇÃO PARA TREINADOR

Paulo Rogério Moraes Rocha

Tanto o técnico novo como veterano devem observar uma série de normas bem definidas. Normas específicas que assegurem um mais amplo e eficiente ensinamento, a correta utilização do tempo e um desenvolvimento consistente do rendimento.

As seguintes "regras" são aplicadas em todos os níveis do polo aquático.

FILOSOFIA: que tipo de sistema ofensivo e defensivo você irá aplicar ? Não espere até o 1º treino para decidir se vai utilizar uma defesa de zona, pressão ou etc. Determine, tão logo o possa; assim você estará totalmente preparado quando chegar o 1º dia de treinamento.

O primeiro ano em um novo clube pode trazer um problema. Não conhecendo o elenco, você não pode conhecer suas aptidões. Depois do 1º ano você saberá como eles se amoldam dentro de sua filosofia.

Tão logo haja decidido seus sistemas de defesa e de ataque, insista neles. Não troque na metade do campeonato.

Repentinas trocas causam incerteza e podem provocar a perda de confiança no que estão fazendo. Portanto, pode-se corrigir ou reformar alguns aspectos para partidas especiais, porém, uma vez que tenha resolvido seus sistemas, não mais os troque.

SEJA ORGANIZADO: você não pode ter êxito se não está bem organizado tanto para treinos como para jogos. Leve a cabo um cronograma de cada treinamento, dando um tempo específico a todas as fases que queira cobrir. Mantenha seu programa. Se você estipulou 20 minutos para um exercício defensivo não se exceda. Estará roubando tempo a outro aspecto igualmente importante. Se determinado exercício não é realizado a contento, programe-o com igual tempo para o próximo treino ou ainda mais, se outras fases do treinamento prosseguem satisfatoriamente. Dirija o treino ativamente, passando de uma fase para outra sem demora, o que manterá vivo o interesse e entusiasmo dos jogadores.

EXERCICIOS DE FUNDAMENTOS: faça-os executarem os exercícios apropriados e rapidamente. Advertência: rapidamente não quer dizer precipitadamente. Significa realizá-lo velozmente porém com eficiência. De nenhuma maneira se realiza exercícios somente para encher o tempo do treinamento. Decomponha o sistema de ataque e defesa em seus componentes e arme os exercícios com uma ou mais destas partes importantes.

Em resumo, sempre tenha os jogadores praticando os movimentos e chutes que lhes são comuns em um jogo.

É melhor treinar uns poucos e bons exercícios apropriado e energicamente que ter um grande sortimento deles somente pelo fato de ocupar tempo de treinamento.

JOGUE O JOGO COM SIMPLICIDADE: não complique as coisas. Explique tudo com precisão e simplicidade e assegure-se de que os jogadores o compreenderam. É melhor fazer bem poucas coisas que muitas mal.

CONDICIONAMENTO: crie a consciência em seus jogadores de que seu maior inimigo não é o adversário mas sim a fadiga, e que o único meio de manter este inimigo acorrentado é desenvolver e manter a condição física. A fadiga causa a perda de concentração e uma pronunciada redução da eficiência. Próximo ao fim de uma partida ou de um treino muito intenso, é fácil observar que os jogadores realizam esforços para se manterem concentrados à medida que começam a sentir-se cansados.

Esta classe de intensa concentração pode, via de regra, demorar por uns poucos minutos a chegada da fadiga e o custo que ela invariavelmente obriga. A má condição física traz problemas de fadiga e perda de concentração.

CONDUTA FORA DA PISCINA: o que o jogador faz fora da piscina é, via de regra, tão importante como o que faz dentro. Os maus hábitos podem destruir tudo o que se consegue no treinamento e o técnico deve tratar de exercer algum tipo de controle sobre os jogadores, particularmente com aqueles mais difíceis

JOGO DE EQUIPE: uma permanente predisposição ao esforço dentro de uma dedicação total à equipe é o que realmente vale, não o individualismo. Enfatizar que o pólo aquático demanda cooperação e jogo de equipe e que sem isto acontece o caos. Ninguém deve entrar na piscina com a mente posta somente no ataque. Os jogadores e equipes importantes tem em conta ambos os aspectos do jogo (ataque e defesa).

A estrela individualista deve prazerosamente sublimar-se em proveito da equipe. Em sua função de técnico você deve fazer o impossível para incentivar o jogo de equipe. O jogador que faz 3 gols em uma partida não necessita de motivação. Pode-se estimular os outros jogadores fazendo-os jogarem dentro de algum sistema de pressão e estabelecendo algum tipo de prêmio para suas virtudes defensivas, recuperação de bola, etc.

É magnífico ter um grande artilheiro na equipe. Porém é muito melhor ter treze jogadores que joguem em conjunto e se sacrifiquem um pelo outro em beneficio da equipe, compensando freqüentemente as deficiências físicas.
Fonte: Paulo Rocha

domingo, maio 25, 2008

MELHORIA DA CAPACIDADE INSTRUCIONAL DO TREINADOR

Ainda que poucas vezes reconhecido explicitamente pelos treinadores, os atletas são uma das fontes mais importantes de aprendizagem e desenvolvimento da capacidade instrucional do treinador. São os atletas que fazem o treinador. São eles que lhe propiciam a experiência e lhe dão a matéria para reflectir e aperfeiçoar a sua prática.
Se as explicações são confusas, palavrosas, inconsistentes, contraditórias ou incorrectas, as respostas dos atletas vão dar conta disso. Se os exercícios estão mal desenhados, mal calibrados em termos de dificuldade, de intensidade, de duração, as respostas vão-lhe começar por dar indícios disso até se tornarem mais que patentes.
Se o treinador falha na colocação de exigências ou na responsabilização pelas exigências colocadas, a forma e a qualidade respostas dos alunos por certo vão revelar um grau de comprometimento com as tarefas de treino aquém do desejado.
É bom que se tenha presente que a experiência e até a reflexão sobre a experiência, sendo imprescindíveis, não induzem necessariamente a aprendizagem num sentido positivo, no sentido da melhoria da capacidade instrucional. Pode-se por exemplo aperfeiçoar um tipo de treino rotineiro, acomodado, pouco desafiador. Pode-se, pior ainda, desenvolver e refinar orientações, práticas e formas de relacionamento avessos a uma cultura desportiva saudável e eticamente referenciada.
Os treinadores melhoram a sua capacidade instrucional através da busca e selecção de exercícios para trabalhar os diversos conteúdos do treino.
A melhoria da capacidade instrucional é sem dúvida alguma o resultado de um esforço individual de estudo, de actualização de conhecimentos, de preparação cuidada, de monitorização e de reflexão sobre o treino e a competição, mas ficará sempre seriamente limitada se permanecer fechada sobre si, se não se abrir para um contexto de intercâmbio de ideias e de práticas e de procurar nesse intercâmbio os sinais de renovação e mudança no treino desportivo.
As modalidades constituem comunidades de prática, organizam competições que são um barómetro importante para cada treinador objectivar a evolução dos seus atletas, e a comunidade extrair ilações sobre o mérito e a consistência de atletas, treinadores e a sua capacidade instrucional. E na formação não são apenas os resultados que contam, é mais interessante perspectivar a partir dos resultados e da qualidade dos desempenhos e aquilo que eles deixam antever para resultados futuros.
Uma modalidade que quer crescer e progredir tem que fomentar dentro de si mecanismos e processos de intercâmbio de conhecimento e experiências que estimulem a formação e o desenvolvimento da capacidade instrucional dos treinadores e das práticas de treino.
A instrução como inter acção entr e tr einador , atletas e conteúdos do tr eino
Poderíamos ainda falar de outros factores de envolvimento que condicionam a capacidade instrucional. Porém, gostaria que olhássemos agora para o interior do processo instrucional propriamente dito.
A definição de instrução costuma ser restringida apenas à actividade do professor ou do treinador, e muito particularmente à sua actividade comunicativa relacionada com a transmissão de informação. Se adoptarmos, no entanto a perspectiva de Cohen et al. (2001), a instrução é entendida como um processo interactivo entre treinador, atletas e conteúdos num contexto social concreto.
No processo de instrução, os treinadores:
1. avaliam as necessidades, os interesses e as respostas dos atletas no treino e na competição, o que constitui um pressuposto essencial para a estruturação de qualquer programa, para o qual precisam depois de mobilizar os recursos disponíveis;
2. concebem, seleccionam e adaptam exercícios para concretizar os objectivos de treino, optimizando os recursos disponíveis e comunicando e interagindo com os restantes de forma a transmitir-lhes aquilo que pretende, o que é preciso valorizar no trabalho, conseguindo a sua mobilização na actividade entendendora como algo que lhes é útil e que contribui para o seu desenvolvimento;
3. apresentam as tarefas, dão explicações, comunicam expectativas e exigências sobre o que deve ser feito e como deve ser feito no treino e na competição;
4. supervisionam, orientam, regulam e apoiam a actividade dos atletas, o confronto dos atletas com as tarefas do treino e da competição, verificam a qualidade do participação, informam das correcções a introduzir.

Se ficássemos por aqui na definição de instrução, colocaríamos os atletas na posição de objecto da actividade dos treinadores, ainda que tivéssemos o cuidado de a configurar como uma actividade sensível às particularidades dos atletas e dos conteúdos.
O processo de instrução não resulta apenas da acção dos treinadores, mas antes da acção conjunta de treinadores e atletas sobre um conteúdo num dado envolvimento, ao longo do tempo. Devemos sempre recordar que estes atletas não se apresentem em branco no processo de aprendizagem que vão viver. No processo de instrução, os atletas:
1. não são elementos passivos, no direccionamento ou no desenvolvimento das actividades do treino e da competição;
2. trazem consigo um passado, uma história, conhecimentos, capacidades e disposições, expectativas e motivações que condicionam o que se pode passar e o que efectivamente se passa no treino e na competição;
3. interpretam e respondem às intervenções e solicitações dos treinadores, às exigências das tarefas de um modo concreto que vai condicionar (de forma positiva ou negativa) a acção dos treinadores e a qualidade do treino;
4. são coautores do treino, que é uma construção conjunta de treinadores e atletas. Aquilo que de facto vai acontecer no treino é fruto do que o Treinador pensou, daquilo que o Treinador fez no treino, mas igualmente da resposta dada pelos atletas àquelas propostas e da influência que exercem sobre a orientação do treino.
Um treinador que quer optimizar a capacidade instrucional do seu programa de treino não centra em si apenas as responsabilidades do treino, dá espaço e estimula e releva outras fontes de ensino, nomeadamente, os atletas, proporcionando actividades de exploração e busca de soluções produtivas, fomentando o trabalho cooperativo de pequenos grupos, o trabalho de pares. Enfim criando um clima de trabalho no treino, responsabilizante, em que os atletas assumem os objectivos e as tarefas do treino e partilham experiências e conhecimentos entre si, não estão apenas dependentes de uma única fonte de informação, o treinador. Os atletas de nível mais elevado e mais experientes modelam comportamentos e habilidades e ampliam as fontes de fornecimento de feedback e de apoio à actividade de aprendizagem dos seus colegas.
Em suma, o treinador cumpre diferentes papéis de instrução e recorre a diferentes estratégias de instrução, em conformidade com as particularidades dos objectivos e conteúdos de treino e o nível de aquisição ou capacidade de resposta dos atletas.
Destacamos:
- o papel de transmissor, muitas vezes considerado o de maior importância, que valoriza a as estratégias de instrução directa: (apresentação clara e concisa dos conteúdos, demonstração do modelo correcto, progressão passo a passo das tarefas de exercitação, supervisão activa e feedback permanente do treinador).

- o papel de tutor, valorizando as estratégias de descoberta guiada, de desafio e provocação cognitiva, pois sendo o atleta um sujeito activo na sua própria aprendizagem, o atleta deve ser estimulado a pensar não apenas sobre o produto, mas também sobre a forma como ele é alcançado e construído. O treinador deve estimular o atleta a pensar sobre o processo, com recurso à descoberta guiada, interrogando, questionando, obrigando a reflectir;
- o papel de coach (em sentido abrangente, entendido como líder e catalizador de uma comunidade de prática), valorizando estratégias de aprendizagem cooperativa em torno de problemas reais oriundos da sua prática desportiva. O treinador envolve-se conjuntamente com os atletas na resolução de problemas, dá espaço e incentiva a exploração, busca e descoberta de soluções, estimula a entre-ajuda, mas também fornece informação, demonstra e corrige. Muitos dos problemas reais da prática desportiva aparecem sob a forma de questões cujas soluções não são únicas, nem podem ser predeterminadas.
No que diz respeito ao ensino de novos conteúdos, sejam eles conceitos, habilidades, ou estratégias, a sua aprendizagem é facilitada quando:
1. a introdução dos novos conteúdos preconiza que os atletas se envolvam na resolução de problemas reais da competição;
2. os novos conhecimentos se constroem sobre o reportório que os atletas já dominam;
3. os novos conteúdos são demonstrados aos atletas para que eles tenham a percepção daquilo que se lhes pede;
4. os atletas têm oportunidade de treinar e aplicar os novos conteúdos em contextos competitivos;
5. o novo conhecimento é integrado no desempenho competitivo.
Os treinadores e atletas trabalham sobre os conteúdos do treino fundamentalmente através dos exercícios e séries de exercitação, pelo que o sucesso do treino depende da qualidade e da eficácia do exercício (Queiroz, 1986). Escolher e organizar bons exercícios é um ingrediente fundamental da capacidade instrucional do treinador. Da sua experiência como jogador, da observação do treino de outros treinadores, da consulta de dossiers ou conversas com outros treinadores da frequência de cursos, e Clinics , de livros, de revistas, de fontes electrónicas, os treinadores recolhem exercícios ou ideias para desenhar exercícios para arquitectar o seu programa de treino. Porém, mesmo os exercícios mais ricos para trabalhar um determinado conteúdo e bem ordenados na lógica do programa de treino só surtem o efeito desejado se o treinador tiver conhecimento e o usar convenientemente para poder coordenar a instrução apoiar e corrigir a execução e, por outro lado se os atletas se mobilizarem para um confronto adequado com os objectivos da tarefa.
Fonte: Amândio Graça

quinta-feira, maio 22, 2008

TREINOS DE CAPTAÇÃO NO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL


Fazendo jus ao facto de o Sporting Clube de Portugal desde sempre ter estado na vanguarda no aspecto da formação de novos valores desportivos, a Associação de Patinagem do Sporting Clube Portugal, vai apostar ainda mais forte nessa área de detenção e evolução de talentos, que é para os clubes hoje em dia uma aposta que tem e deve ser cada vez mais forte.


Mais informações através do e-mail associacaopatinagemscp@gmail.com

sábado, maio 17, 2008

SER UM TREINADOR DE SUCESSO COM CRIANÇAS


Pedro Teques
Departamento de Psicologia e Comunicação da APEF

No desporto, como em muitas outras actividades, os adultos podem ajudar as crianças e jovens a desenvolverem os seus interesses e a optimizar as suas capacidades pessoais. O treinador de jovens apresenta-se como um excelente exemplo em como poderemos maximizar essas oportunidades.
As crianças, de uma forma geral, querem ser bem sucedidas na actividade desportiva que escolheram para praticar. Se regredirmos à nossa infância, e colocarmo-nos nessa posição de ser criança no desporto, facilmente nos lembramos dos sonhos de glória – fazer o tal golo no último minuto. Cada movimento, cada remate, cada execução que é realizada num treino ou jogo, é um marco que pontificará na memória.
Quando se desenvolve uma actividade desportiva com crianças, os adultos significativos (e.g. treinadores, pais) têm a oportunidade de auxiliá-las perante aquilo em que elas são mais vulneráveis – a competitividade precoce. Isto é, os treinadores, os pais, os dirigentes ou os juízes, podem desenvolver a competição sob a perspectiva de fomentar auto-percepções positivas e a auto-aceitação nas crianças. Estes adultos significativos são responsáveis pelo desenvolvimento do divertimento e do carácter, e rejeitar os abandonos precoces da prática desportiva. Idealizando a figura do treinador neste sentido, ser treinador de crianças e jovens não se circunda, unicamente, sob a perspectiva metodológica do treino. Ser treinador de jovens é muito mais do que isso! Implica ter conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança, compreender o seu pensamento e a sua cognição. Saber que as crianças e jovens que dirige e auxilia no desporto percepcionam-no como um modelo social a seguir e a respeitar.
Geralmente, os treinadores de crianças querem fazer bons trabalhos, isto é, desenvolver talentos, optimizar capacidades técnicas, fazer a equipa jogar bem, etc. Em muitos casos,
alguns desses treinadores são voluntários, que tiveram um passado na prática do futebol, que gostam do treino e do clube. Mas, um mau delineamento dos desígnios pedagógicos e didácticos no treino pode causar graves danos no futuro das crianças e jovens. O que, hoje em dia, de uma forma sucessiva tem vindo a acontecer, é o abandono precoce da prática desportiva. Os treinadores são a figura principal no processo de formação desportiva da criança. A sua má conduta leva ao decréscimo da confiança e da motivação, criando uma barreira entre a criança e a prática desportiva que tanto gostava de praticar. Se foi fácil para um treinador esquecer o jovem atleta que abandonou a equipa a meio da época porque não jogava o suficiente, ou porque, não se divertia, talvez esse mesmo treinador veja, somente, o desporto a partir da vitória e da derrota, e das medidas para alcançar o sucesso rápido na formação.
A formação dos treinadores de crianças e jovens em futebol é uma necessidade premente.
Apesar de se verificar na bibliografia e na prática corrente, tentativas de suporte nesse sentido, a intervenção ainda é parca, face o evidente crescimento de instituições desportivas e, concomitantemente, de praticantes nelas envolvidos. O aumento da taxa de abandono desportivo precoce, por parte de crianças e jovens no futebol de formação, tem sido um sinal de sobreaviso para os responsáveis da formação desportiva, em especial, na modalidade do futebol.
As seguintes linhas pretendem promover a reflexão no delineamento pedagógico dos processos de ensino/aprendizagem em futebol juvenil. Talvez se deva salientar aqui, que a competição desportiva, por si só, poderá ter vantagens (apesar de estar longe de ser o principal motivo, a competição tem alguma representatividade no padrão motivacional dos jovens),
mas igualmente desvantagens. À competitividade, normalmente, estão associados o desapontamento, a “pressão” por parte de pais e treinadores, e a frustração. Possivelmente se ela for encarada do ponto de vista da formação perante aqueles que nela estão envolvidos, ela será vantajosa se promover a maximização da aquisição de conhecimentos e de capacidades, passando a ser desvantajosa se impedir ou perturbar o normal processo de aprendizagem.
No sentido de promover os benefícios da prática e do treino em futebol para as crianças e jovens, é importante ter em consideração as seguintes directrizes:
- Distinga as diferenças do desenvolvimento da criança.
As crianças diferem dos adultos nas capacidades fisiológicas, motoras, cognitivas e emocionais. Neste sentido, o treinador antevendo o crescimento e desenvolvimento da criança, deverá considerar como efectua a sua comunicação e como delineia as formas didácticas do treino. Por exemplo, quando observamos crianças de 6 ou 7 anos de idade a jogar futebol, facilmente é identificável a forma descoordenada como as crianças se posicionam em relação aos seus colegas e em relação á bola. A bola é o centro das acções. O pensamento da criança nesta idade não apresenta um desenvolvimento suficiente, no que concerne ao domínio espacial e dedutivo. É comum, observar-se em várias actividades os treinadores de crianças com estas idades: “Organizem-se!”, “Passa a bola!”, “Marca o jogador”, “Posiciona-te na defesa”.
- Utilize a comunicação positiva.
A utilização do reforço positivo apresenta-se como fundamental no ensino e prática de qualquer actividade com crianças. A comunicação é uma das áreas que o treinador, em qualquer nível competitivo, deverá saber dominar. As investigações demonstram que, no ensino e aprendizagem desportiva, a utilização do feedback positivo por parte dos treinadores resultam no incremento da motivação, auto-estima e do divertimento nas experiências desportivas de crianças e jovens.
- Crie situações que desenvolvam a tomada de decisão.
Devem ser providenciadas situações para que os jovens atletas tomem as suas próprias decisões em contexto de treino e de jogo. A investigação afirma que a intervenção do treinador em jogo não deve ser contínua.
Nesta circunstância, o treinador deve alternar entre a instrução técnica correctiva (não de forma sucessiva) e o reforço positivo (contingente a uma boa execução). Não raras vezes, observa-se que os treinadores de crianças enviam, constantemente, instruções para o campo, na tentativa de corrigir erros técnicos ou tácticos de jogo – “Joga na direita!”, “Joga na esquerda!”, “Marcação ao homem!”, “Toda a gente atrás da linha da bola” – de uma forma quase contínua. Acontece que, a mensagem enviada pelo treinador, gradualmente, deixa de ter relevância. E, se tivermos em consideração, que as crianças têm, de uma forma natural, uma reduzida focalização da atenção, este tipo de comunicação por parte do treinador apresenta-se como ineficaz. Os treinadores deverão criar um ambiente que encoraje as crianças a tomarem decisões por si próprias. Terão que ver as decisões erradas como uma oportunidade para aprender.
- Identifique e persiga os verdadeiros valores da formação desportiva de crianças.
Tipicamente, os treinadores mais jovens iniciam a sua actividade com boas intenções. Querem que as crianças, sobretudo, se divirtam, desenvolvam novas capacidades e competências, e saibam avaliar a vitória e a derrota através do esforço dispendido para o jogo. Estes são, alguns dos valores, que se identificam como ideais para a formação e desenvolvimento biológico, psicológico e social no desporto. No entanto, o fascínio da vitória, por vezes, eclipsa estes objectivos primordiais da formação desportiva. Os sinais são imediatos: menor rotatividade das crianças nos jogos; de uma forma sucessiva, vê-se as crianças a chorarem por terem perdido o jogo; comportamentos mais agressivos nos treinos; pais descontentes; entre outros. Crie objectivos no início da época, e reveja-os durante a temporada. Para qualquer criança, o divertimento é jogar. Se questionar uma criança se pretende jogar na equipa que perde ou ficar no banco de suplentes da equipa que ganha, a maioria responderá que prefere jogar. Seja crítico para com o seu próprio comportamento. Reserve algum momento de reflexão após os jogos e após os treinos. Reveja o planeamento do treino. Verifique se os próprios objectivos formativos estão a ser cumpridos. As informações que retirará daqui mantê-lo-ão no caminho do alvo que formulou previamente.
- Procure receber feedback do seu comportamento em treino.
Para evoluirmos em alguma actividade, é importante termos recursos que nos informem acerca do nosso rendimento. Após os treinos ou jogos, questione os seus adjuntos acerca da sua prestação e da equipa, do clima, da coesão de grupo, etc. Encoraje-os a serem específicos, a darem exemplos práticos e concretos. Questione os pais acerca do que os filhos dizem dos treinos e dos jogos.
Os pais são um aliado para a formação desportiva! Verifique o sentimento das crianças durante a época. Se eles estiverem hesitantes em falar, faça-os responder a alguns questionários anónimos. Podem incluir questões como, “Se pudesses mudar uma coisa nos treinos para torná-los mais divertidos, o que seria?”, “Qual é o melhor e o pior comportamento que o treinador tem durante os treinos?”, “Onde achas que a equipa poderá melhorar?”. Não se esqueça, a motivação é o motor da prática desportiva.
- Aceite a espontaneidade e o caos que caracterizam as actividades com crianças.
A espontaneidade e os comportamentos inesperados das crianças podem provocar frustração e um grande desânimo se o treinador se render à ilusão do controlo de todas as situações de treino. A realidade é que cada criança é única e, todos os dias, nos presenteará com um comportamento e uma expressão nova. E, cada criança tem um desenvolvimento e uma maturação distinta. È importante ter em consideração que o plano de treino traçado no início da época, não raras vezes, tenha que ser alterado no momento, e necessite de constante revisão. Considere um determinado nível de desordem como inevitável em actividades com crianças.
Treinar crianças e jovens providencia uma excelente oportunidade para os influenciar, positivamente, nas suas vidas. Este facto, é extremamente importante, quando o treinador compreende o desenvolvimento das crianças em relação ás suas capacidades desportivas, vê as crianças como únicas e individuais, e interessa-se, constantemente, pela evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Finalmente, ser um treinador de sucesso com crianças é continuar a aprender em cada treino e com cada criança, tornando-se cada dia, num treinador melhor.
Fonte: ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCOLAS DE FUTEBOL - APEF